Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

ajudar o próximo? O próximo sou eu!

 

Ser solidário , ser caridoso, alinhar neste ou naquele movimento anti ou pró qualquer coisa e ajudar o próximo, são uma pequena amostra de coisas que são muito ''in''. Fica bem a qualquer pessoa , por mais sacana e egoísta que seja , assumir-se como uma verdadeira madre Teresa, sempre disposta a ajudar , sem qualquer interesse monetário ou de qualquer outro tipo, aqueles que são mais desfavorecidos. Ajudar o próximo é bom e parece bem.

Ando a pensar seriamente (not really) em fundar uma associação de cariz solidário. Se há associações que têm como finalidade apoiar causas tão nobres como a não extinção do cotão no umbigo , a preservação disto e daquilo , ajudas dos mais variados géneros a quem tem muita saúde e pouca vontade de trabalhar..., então também posso fundar a ''CHULO'', Colectividade humanitária unida lobby ostentação.

Imprimo uns panfletos e crio uma página web, onde possa dar a conhecer as minhas carências e necessidades, como por exemplo a necessidade de ter mais dinheiro no banco , uma casa maior e mais bem equipada ,ter um LCD, ter uma mota nova, ter um pc novo, ter roupa de marcas conceituadas, entre muitas outras coisas.

Quase de certeza que alguém me diria que isso tudo são bens materiais , e que esses bens não trazem felicidade nem saúde. É verdade que não trazem , mas, em alternativa , trazem um conforto danado à vida de qualquer pobretanas de classe média.

 

(Ora digam lá que o gajo não tem boas ideias. )

Há quem diga que a classe média vive bem. A classe média não é pobre? Lol. Neste nosso país é!Só assim se justifica que pessoas que até têm uma qualidade de vida razoável e um poder de compra que até permite passar horas afim no café , a fazer vidinha de Lorde, recebam o famoso RSI, o rendimento mínimo.

Mínimo? Mínimo é aquilo que eu ganho trabalhando a terra, sujeitando-me a andar debaixo de um sol abrasador , contrariando os conselhos da Diirecção Geral de Saúde.

Na passada 3ª feira aconteceu-me um caso curioso, caso esse que, junto com uma das ideias ''inspira-me'', veio a dar origem à escrita deste post Vieram-me bater à porta 2 fulaninhos, cheios de papelinhos nas mãos. Pensei logo para mim : ''Huuum, não devem vir dar nada!''. E não vinham mesmo! Vinham fazer um peditório para uma qualquer associação de apoio a toxicodependentes e alcoólicos. Apoio? E quem me apoia a mim? Por não andar metido nas drogas ou na pinguinha (se calhar devia andar metido!) sou menos merecedor de ser ajudado? Opa , quando eu for cavar, semear ou colher alguma coisa , venham ajudar, sejam solidários ! É o vêm! Enfim..

Com toda esta boa vontade e bom humor que o post transmite , lá me queixei da crise , de como a vida está difícil e o dinheiro está caro. Mesmo assim , como desde pequeno fui ensinado de que grão a grão enche a galinha o papo, peguei numa moedita de 1 eur e dei-a aos srs. Qual não é o meu espanto quando um deles me diz: ''Só 1 euro? Não pode dar mais qualquer coisa?''

A minha grande vontade foi dar-he um pontapé algures. Pobres , necessitados , mas mal agradecidos! Só lhes perguntei : '' quanto me deram a mim? alguma vez me deram algo? alguma vez fui apelar à vossa solidariedade?'' Pró raio que parta a solidariedade !

Todos apelam à nossa solidariedade. O Governo apela à solidariedade social como forma de combater certas desigualdades sociais, mas é o 1º a não dar mostras de grande solidariedade , de cada vez que nos mete a mão no bolso, já de si tão vazio, e nos tira mais uns euros para impostos.

Até a Igreja nos impele e nos apela para a solidariedade e para a ajuda ao próximo , como vem explicado nos Evangelhos. Pois, a Igreja é realmente muito solidária... com o dinheiro de milhões de fiéis solidários com a Igreja!

Ajudar o próximo? Pois, desta vez o próximo sou eu!

O próximo sou eu!

segredo revelado:
Ora muito bem! Se tivermos mãos capazes de trabalhar  e vontade para as usar , resolvemos nós mesmos parte dos problemas que nos aflijam, sem precisar de recorrer a ajudas de terceiros , apelando à sua solidariedade.

Nunca compreendi a solidariedade. Aceitei-a como artigo de fé tradicional. Se tivéssemos coragem de a afastar completamente, livrar-nos-íamos do peso que incomoda a nossa personalidade (Autor: Henrik Ibsen)
...

A consciência e o medo de ser julgado pelo vizinho do lado , por deixar de ser solidário com um ''pobrezinho'' qualquer, pesa realmente muito na nossa tomada de decisões. Será que a solidariedade, aquela solidariedade que é exercida  mas não é sentida , pode ser considerada solidariedade?

Cá para mim,  não. É mas é uma espécie de vaidade e de exteriorização de superioridade em relação a alguém numa posição frágil. É , apenas e somente , um acto para inglês ver.

 

publicado por segredo_revelado às 15:33
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